Falando de amor...

 

 

 Cada pessoa encara o amor de uma forma diferente, porém todos nós vivemos o processo de amar.

Mas o amor que vemos freqüentemente por aí, muitas vezes torna a vida do casal insuportável. Por que será que essas relações de amor que vemos no dia-a-dia culminam em fracassos, frustrações e sofrimentos para ambas as partes envolvidas?

Acredito que um dos fatores seja devido ao fato de as pessoas confundirem o sentimento de amor com o de posse. Nesse caso, as pessoas passam a cobrar do companheiro comportamentos e atitudes, como se este tivesse a obrigação de ser e agir de acordo com o que o outro espera ou precisa.

A própria certidão de casamento reflete o pensamento da nossa sociedade. Ao se unir a um homem, é de praxe que a mulher incorpore ao seu nome, o sobrenome do marido, como se ela fosse mais uma propriedade dele. Assim, a esposa abdica de sua identidade original para absorver outra, que não é sua. Isso faz com que ela perca uma parte de si, pois mergulha a sua auto-imagem na identidade do outro. Desta forma, ela pode sentir-se não integral, despersonalizada.

Gostaria de salientar que quando falo em identidade não me refiro ao documento de identificação individual, mas sim ao aspecto de reconhecimento de nós mesmos como seres únicos.

Vejo o amor, basicamente, como uma entrega de ambas as partes, por haver o encontro dos desejos.

Para amar verdadeiramente, é preciso que, antes de tudo, a pessoa ame a si mesma, do contrário, não saberá amar a ninguém. Se a pessoa não se gosta, corre o risco de se buscar no parceiro. Ou seja, este passa a ser idealizado e a pessoa projeta nele características fantasiosas que gostaria de ter  para sim mesma. Isso, muitas vezes, gera uma relação de dependência e posse.

Para amar é preciso se autoconhecer e se aceitar primeiro, para depois, conhecer o outro e aceitá-lo como ele verdadeiramente é. Isso implica em respeitá-lo como um indivíduo pleno.

 

Maria José Meirelles

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